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Igreja de São Roque, em Lisboa: o que ver e onde jantar do outro lado do rio
A Igreja de São Roque foi a primeira igreja jesuíta de Portugal, ficou de pé em 1755 e tem um teto plano pintado para parecer abobadado. Horários, preço, como chegar e onde jantar depois, em Cacilhas.
A Igreja de São Roque, no Largo Trindade Coelho, em Lisboa, vale a visita por três razões: foi a primeira igreja jesuíta de Portugal, resistiu ao terramoto de 1755 e tem um teto plano pintado em perspetiva para parecer abobadado. De outubro a março abre de terça a domingo, das 10h às 18h. Quem a visita à tarde pode depois descer ao Cais do Sodré, apanhar o cacilheiro e jantar em Cacilhas, na Rua Cândido dos Reis.
O que havia neste sítio antes da igreja?
A história do local refere um cemitério de vítimas da peste, fora das muralhas, numa zona pouco povoada. Em 1506 o povo construiu ali uma ermida dedicada a São Roque, o santo que, segundo a tradição, se curou da peste, e o sítio tornou-se lugar de peregrinação.
D. Manuel I pediu a Veneza uma relíquia do santo para proteger Lisboa, e a relíquia foi colocada nessa ermida, no Bairro Alto. Mais tarde D. João III entregou o terreno aos jesuítas, que ali montaram a sua sede e construíram a igreja, a partir do fim do século XVI. Depois da expulsão dos jesuítas, a igreja e a residência passaram para a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que as gere até hoje.
Lisboa antes do terramoto de 1755: a Igreja de São Roque num painel de azulejos do início do século XVIII, hoje no Museu Nacional do Azulejo. Foto: RickMorais, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.
Porque é que o teto parece ter cúpulas?
O teto da nave é plano. A pintura foi feita entre 1584 e 1590 e usa perspetiva para fingir arquitetura em relevo. Francisco Venegas pintou os detalhes arquitetónicos fingidos e, numa das abóbadas, provavelmente fez-se representar a si próprio. Amaro do Vale pintou depois o medalhão central e os episódios bíblicos do perímetro.
É um dos raríssimos tetos quinhentistas que existem em Lisboa. Sobreviveu a 1755 graças a um sistema antissísmico de traves flexíveis, que não quebrou com o abalo.
O teto plano da nave, com as falsas abóbadas pintadas em perspetiva. Foto: Vitor Oliveira, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0. Imagem recortada.
O que tem a Capela de São João Baptista?
É a capela mais falada da igreja. Foi encomendada em Itália por D. João V em 1742, chegou a Lisboa em 1747 e ficou montada em 1749. Os quadros são mosaicos de Mattia Moretti, feitos a partir de cartões de Masucci, com o Batismo de Cristo, o Pentecostes e a Anunciação. Supõe-se que, na época, tenha sido a capela mais cara da Europa.
A coleção desta capela está integrada no Museu de São Roque, ao lado da igreja, e foi classificada como Tesouro Nacional.
A Capela de São João Baptista. Foto: Simon Burchell, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.
A que horas abre e quanto custa?
Os horários da igreja e do museu são diferentes, e as visitas à igreja ficam condicionadas às cerimónias de culto (missa de terça a domingo às 12h30).
- Igreja, de outubro a março: segunda-feira das 13h às 18h; de terça a domingo das 10h às 18h.
- Igreja, de abril a setembro: segunda-feira das 13h às 19h; de terça a domingo das 10h às 19h.
- Museu: de terça a domingo, das 10h às 18h. O acesso às exposições faz-se até 30 minutos antes do fecho.
A entrada geral custa 8 €, com 50% de desconto para maiores de 65 anos, estudantes com menos de 25 anos e titulares do Lisboa Card. Crianças até aos 12 anos não pagam. Aos domingos e feriados, até às 14h, a entrada é gratuita para residentes em Portugal. Os bilhetes compram-se no local. Os preços e horários são os que o museu indica no seu site e podem mudar, por isso convém confirmar antes de ir.
Como chegar?
O museu indica estas opções: metro até à estação Baixa-Chiado (linhas azul e verde), autocarro 758, elétrico 24 ou 28 (Largo Camões) ou Elevador da Glória. Há parques de estacionamento no Largo Camões e na Rua Almirante Pessanha, ao Carmo.
E depois, onde jantar?
A igreja fecha às 18h entre outubro e março, o que deixa a noite livre para atravessar o rio. O cacilheiro para Cacilhas sai do terminal fluvial do Cais do Sodré, e os horários da ligação estão no site da Transtejo & Soflusa (ttsl.pt). Em Cacilhas, a Rua Cândido dos Reis fica logo a seguir ao terminal.
A Toca fica no número 93 e serve cozinha portuguesa desde 1985. Depois de uma tarde a olhar para tetos e talha dourada, a ementa é simples de decifrar. O Polvo à Lagareiro e o Bacalhau à Casa são as duas especialidades da casa. Também há Amêijoa à Bulhão Pato, Sopa de Cação, Caldeirada de Peixe e, para quem prefira carne, o Bife Marmoreado na Grelha. Pode ver tudo na ementa e reservar mesa em Contacto.
Polvo à Lagareiro, uma das especialidades d’A Toca. Foto: A Toca.
Resumo: visita e jantar
| Onde | Largo Trindade Coelho, Lisboa |
| Igreja (outubro a março) | segunda 13h às 18h; terça a domingo 10h às 18h |
| Igreja (abril a setembro) | segunda 13h às 19h; terça a domingo 10h às 19h |
| Entrada geral | 8 € (50% de desconto: mais de 65 anos, estudantes com menos de 25 anos, Lisboa Card) |
| Transportes | Metro Baixa-Chiado, autocarro 758, elétrico 24 e 28, Elevador da Glória |
| Depois | Cacilheiro Cais do Sodré, Cacilhas, jantar na Rua Cândido dos Reis, 93 |
Fontes: Museu de São Roque (informações) e Wikipédia, Igreja de São Roque.
Imagem de capa: “Exterior of Igreja de São Roque (Lisbon)”, de Uhooep, via Wikimedia Commons, licenciada sob CC BY-SA 4.0. Imagem recortada, partilhada sob a mesma licença.
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